Acronymia em São Paulo

Como parte da pesquisa do artista Jean-François Prost, em residência em São Paulo pela segunda vez este ano com Lanchonete.org (Zona da Mata + Cidade Queer), colaboramos com a oficina/processo Acronymia, com o Laboratório Gráfico Desviante no espaço .Aurora.

A intervenção é baseada em uma repetição de uma série de micro-ações de simples gestos que impactem e talvez mudem nossa percepção e concepção do espaço urbano. Podem simples palavras, imagens, ideias alterar a percepção e começar uma mudança? Negócios especulativos e o mercado normalmente se utilizam de acrônimos (abreviações) marcantes, mas a ideia do projeto Acronymia é refletir a precariedade e inexistência de um aspecto, uma particularidade no espaço urbano, especialmente em espaços em transformação.

Durante a oficina focaremos em questões de como usamos e nos relacionamos com o espaço público. Explorar a relação entre palavras, coisas e lugares que são singulares, conviviais ou por outro lado, hostis e normativos. As palavras e pensamentos escolhidos serão transformados em novos símbolos incomuns, impressos ao vivo em camisetas.

Acronymia tomou forma anteriormente na Bienal de Liverpool, em 2006. Por meio de diversos eventos, em diversos locais e com um público variado em cada um deles, uma versão do projeto artístico se realizou em São Paulo durante os meses do artista na cidade. Jean-François Prost, em colaboração com outros parceiros como o Festival Cocidade ou o projeto Zona da Mata(hyperlink) confeccionou camisetas – uma vez no quintal do Goethe-Institut São Paulo e outra em um domingo no Minhocão – nas quais as “acronímias” foram impressas para que fossem performadas pela cidade por quem as usasse.

A ideia de levar essas siglas desconhecidas, como a TSO (Trans Sem Oportunidade) ou GGG (Gays Gentrificam Gays), pelas ruas é que se crie um diálogo entre desconhecidos pela curiosidade de entender o que aquilo significa. “Por defender uma pluralidade urbana na qual pontos de vista minoritários devem ser trazidos à tona é o motivo de termos impresso coletivamente estes símbolos em camisetas”, defende o artista.

Sobre o artista:
Jean-François Prost é artista/arquiteto com interesse aguçado acerca de novos territórios urbanos. Pesquisa espaços (e situações) negligenciados, indeterminados, e também aqueles hipercontrolados, estéreis e sem especificidades aparentes. No trabalho de Prost, a arte é um ato de resistência, um estado de espírito, um dispositivo para enunciar e trocar ideias. Defende que é a presença da arte em qualquer lugar e momento que ativa e promove engajamento social. Seu trabalho individual e coletivo como fundador da Adaptive Actions (AA), em 2007, foi exibido nas seguintes ocasiões: Bienal de Liverpool, Canadian Center for Architecture, Bienal de Arte Madrid Abierto, Fundações Musagetes e Graham. Depois da publicação do livro Heteropolis, a plataforma AA participou de uma série de ações e exposições em 2014 e 2015: MAC e Bienal de Arte de Montreal, MUAC (Cidade do México) e Tokyo Wonder Site. Atualmente ele se dedica a três novos projetos: um para o programa Cidade KUIR em São Paulo, a série Stopping na Cidade do México e na Bina Ellen Gallery em Montreal. Vive e trabalha entre Montreal e Cidade do México.www.adaptiveactions.net

Sobre Laboratório Gráfico Desviante:
O Laboratório Gráfico Desviante surgiu durante o programa Cidade Queer (concebido por Lanchonete e Musagetes) como forma de problematizar a representação e tradução de Queer em nossa categorização binária conservadora a partir da experimentação gráfica e textual. Num segundo, momento passou a atuar também em outros contextos, onde coletivamente são trazidas situações e discussões sobre possibilidades de representação, os limites da linguagem escrita e visual com o intuito de propor transfigurarações, rackeamentos e performatizações da linguagem.